Moreira de Rei é o núcleo histórico e simbólico da freguesia. Antiga vila e antiga sede de concelho, conserva uma densidade patrimonial invulgar, onde se cruzam a ocupação antiga do território, a história medieval, a memória régia e a paisagem rural da Beira Interior.
A sua identidade está profundamente ligada a D. Sancho II. A tradição histórica associa Moreira ao acolhimento do rei deposto, antes da sua partida para o exílio em Toledo, circunstância que terá contribuído para a fixação do nome Moreira de Rei. Esta ligação confere à povoação uma singularidade rara no contexto regional e nacional.
A importância medieval de Moreira de Rei não se esgota nessa memória régia. Foi vila, teve castelo, recebeu foral e exerceu funções administrativas próprias, num tempo em que o território se organizava em torno de núcleos fortificados, igrejas, caminhos e comunidades rurais com autonomia local.
O património existente traduz essa profundidade histórica. O castelo, o pelourinho, a Igreja de Santa Marinha, a Igreja de Santa Maria, a necrópole de sepulturas antropomórficas, as capelas, os fontanários, a Casa da Roda dos Expostos e os vestígios arqueológicos compõem um conjunto notável, que faz de Moreira de Rei uma das povoações historicamente mais relevantes do concelho de Trancoso.
A vila distingue-se ainda pela riqueza das suas tradições, festas, lendas, devoções e memórias locais, incluindo formas próprias de falar, narrar e transmitir a história colectiva. Aqui, o património não é apenas pedra: é também palavra, rito, lembrança e pertença.
Moreira de Rei é, por isso, mais do que a sede da freguesia. É o seu centro histórico, o seu nome maior e a referência que ajuda a compreender todas as povoações que a rodeiam. Na sua história encontram-se o rei, a vila, o castelo, a fé, a terra e a memória de uma comunidade antiga.