Edificada no exterior da cerca amuralhada que protegia a antiga vila de Moreira de Rei, junto à principal via de acesso à mesma, a igreja de Santa Maria é hoje a única das três paróquias que existiram na povoação, dada a desafetação ao culto da outra igreja Matriz de Santa Marinha e o desaparecimento da igreja de S. Vicente.
Referida pela primeira vez em 1320, esta igreja ostenta, porém, alguns elementos que denunciam a sua origem nos sécs. XII-XIII, isto é, na época românica, como seja a cachorrada sob a cornija das paredes laterais da capela-mor e sacristia, decorada com motivos diversos.
A igreja atual, composta por nave única e capela-mor, pela sacristia agregada a esta última e pela torre sineira adossada à fachada principal, é o resultado das várias obras de remodelação ocorridas principalmente nos sécs. XVI e XVII.
Em termos ornamentais, a simplicidade clássica do portal principal, reto e moldurado, contrasta com a beleza decorativa do interior do templo, onde sobressai o teto de caixotões da capela-mor, pintados com cenas da vida de Cristo, e de parte da nave, pintados com figuras hagiográfica, cuja extensão é atribuída a Isidoro Faria – artista do séc. XVIII natural de Vilares (Trancoso), conhecido como o Pintor das Beiras.
Para além destes, são de realçar: o arco triunfal de volta perfeita, com pinturas na parede de suporte; os retábulos em talha dourada e policromada; e o conjunto de azulejos hispano-árabes do altar-mor, produzidos em Sevilha nos inícios do séc. XVI, que forma um bonito painel policromo, decorado com motivos geométricos e florais.
