A produção e consumo de vinho no atual território português remontam ao período romano, transformando-se, desde então, numa das bases de sustentação das economias locais e da dieta alimentar das populações.

Embora, atualmente, a atividade vitivinícola tenha uma fraca representatividade na economia rural da freguesia de Moreira de Rei, conhecem-se mais de cinquenta lagares escavados na rocha disseminados pelo seu território, um número deveras invulgar que demonstra a importância que esta atividade teve noutros tempos.

Resumidos às estruturas escavadas na rocha, os lagares, por norma, são constituídos por dois tanques: um de maiores dimensões e mais elevados (calcatorium), onde se efetuava a sisa e prensagem, e outro mais pequeno (lacus), para o qual escorria o líquido através de um canal ou bica; e apresentam dois ou mais entalhes nas laterais do tanque principal (stipites), que serviam para suportar o sistema de prensagem. Na verdade, ainda que hoje inexistente, os lagares dispunham de um mecanismo – composto por vigas de madeira, pesos e fusos – que permitiam a extração dos sucos do bagaço, após a pisa da uva e a recolha do mosto. A análise destes buracos constitui a única forma de determinar o tipo de mecanismo utilizado em cada caso, sendo os mais usuais:  a prensa de alavanca com pesos e a prensa de fuso central.

Caso fosse adotado o primeiro, o processo de prensagem consistia na utilização de uma viga (prelum), que funcionava como alavanca para exercer pressão, reforçada com o recurso a “pesos de lagar”. Todo este mecanismo, finda a época das vindimas, seria desmontado e arrumado até à nova colheita.

Face à ausência de contexto estratigráfico ou de intervenções arqueológicas, não é possível atribuir uma datação a estas estruturas, tanto mais que as mesmas obedecem a uma técnica de produção de vinho que se propagou desde a época romana até praticamente aos nossos dias.

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